CAMARADA:
Na postagem anterior, por causa de um mentiroso;
Fui obrigado para colocar os pontos nos iiiis,
a recordar uma vez mais o Lado-B da nossa guerra.
É o lado que a todo o custo tento esquecer, mas infelizmente “pelos vistos” não
me deixam.
Recordar-te-ás que foi meu propósito aquando a criação
do Blogue, contar e “postar” essencialmente, o Lado-A . O lado onde tenho registado tudo o que de Bom “e menos bom” Me aconteceu. Ao contrário do outro, do azar, tenebroso, e não só.
E por falar nisso, com as minhas desculpas aos nossos Seguidores por tal ter acontecido,
Conto agora a
2ª parte de uma história “já contada”.
Parte esta, que quase ficava entre o
A e o
B.
No “33°- Convívio anual dos Furriéis da 2504”
que ocorreu no ano passado (2019) em Anadia
recordei uma vez
mais, que me tinham roubado todas as peças da farda,
que estavam ao cuidado da minha lavadeira de Quibaxe.
"15 dias depois"
Novamente em Quibaxe,
para novo reabastecimento.
No que à roupa diz respeito
"nos intervalos ia-me desenrascando”
(Aqui, no Rio Dange, lavando roupa íntima)
Como não a vi à
minha espera para me dar a roupa que lhe tinha entregue, e também para saber se a
outra tinha aparecido, resolvi ir à procura dela.
A nossa chegada a Quibaxe foi bem cedo, e o regresso ao Dange,
ficou marcado para as 6
da tarde.
Com as tarefas orientadas e as tropas a responder com aquela eficácia,
Deduzi que tinha a tarde por minha conta.
++++
Assim… Com uma
noção “mais ou menos precisa” de onde seria a sua casa, “após dizimar o belo bife
de pacaça no Restaurante habitual” pus mãos à obra.
Desci a Avenida, e perguntei por ela a
uma colega (Lavadeira) que na paragem aguardava " confortávelmente" o machimbombo,
Respondeu: Deve estar em casa.
Como já me
tinha convidado mais que uma vez para ir lá a casa, sabia que residia a poucas dezenas de metros
do musseque principal.
Ultrapassei-o, e descobri ainda ao longe, que as palhotas seguintes estavam do lado de lá de um
pequeno vale onde poderia existir um riacho, e afastadas umas das outras alguns metros.
*********
O capim à
minha frente era enorme. Cada vez mais alto, por vezes não deixava ver as
palhotas nem tão-pouco o musseque atrás.
Não havia problema pois o sol estava no auge e “um gajo do
norte” não vacila…
O caminho,
de Picada passou a trilhos.
Acoisa parecia mais fácil.
Uns trilhos num capim denso, que pareciam ter “taipais” dos lados, e sido
desenhados por arquitectos do Dubai,
“tinham a configuração de uma palmeira”
Parecendo
que cada residente tinha o seu trilho de acesso privativo, os mesmos “com uma largura bem
inferior ao metro” iam divergindo do principal a “todo o momento”.
Restava-me a consolação que no regresso, no sentido
Palhotas/Musseque seria bem mais fácil. Podia seguir quase de olhos
fechados, dado que as “diversas folhas da palmeira” convergem para o tronco.
A meio do
percurso, porque o céu começou a escurecer, estive tentado a desistir.
Mas: Como
“um homem é um homem e um bicho é um bicho” continuei.
Ultrapassei com um
pequeno salto o riacho, que afinal mais parecia uma vala.
Andei mais algumas dezenas de metros, e quando vi aquela barraca...
Chamei por Ela;
“kalívio”
por sorte acertei.
Porra, moras no cú de judas.
Apesar da surpresa, fui recebido com pompa e circunstância, convidado a entrar.
Entrei no open-space, e sentei-me expectante numa espécie de baú.
De repente: Se por
acaso estivesse para acontecer algo, tudo se desmoronou.
E porquê?
Porque a amena cavaqueira "do nada", foi abruptamente interrompida pelo estampido de um
enorme relâmpago.
Só não digo que entrou pela chaminé, porque a palhota não a tinha.
Quase saltei. De imediato um vendaval, e o dilúvio desabou..
Recordo, que estávamos estacionados na mata
dos Dembos, precisamente no Dange, protegendo a construção de um Fortim e de uma Ponte sobre o rio.
(No interior do
Fortim, Eu com três Camaradas, Furriéis da Engenharia)
Os relâmpagos ininterruptos
penetravam com facilidade naquilo que outrora teriam sido “sólidas” paredes, iluminando totalmente o interior da palhota.
Entre os raios e coriscos, uma coisa Me chamou a
atenção.
Do tecto em capim, nem uma pinga.
Os minutos passaram a horas, e o temporal não amainava.
Com
respeito à minha roupa, chegou-se à triste conclusão que o melhor era
esquecê-la.
Talvez para fazer sala, simpaticamente pegou naquilo que mais parecia um mamão e
ofereceu.
Sem vontade
de comer o que quer que fosse, agradecido recusei.
O que Eu queria naquele momento, já não era comer, era sim regressar.
Reparei que comia com satisfação e fiquei intrigado quando disse:
FURRIÉ, ainda
bem que não queres. Se comesses ficavas umas horas com o pau feito. !??.
“Desconheço o que seria, mas já pensei em
telefonar-lhe”
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*
Meu FURRIÉ