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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

46 Anos depois, mas ainda no Leste de Angola.

O leitor mais atento reparou concerteza, que terminei a 2ª parte de uma história
aqui contada e passada no LUNGUEBUNGO, desta maneira:

Esta é uma sacanagem do "Samuapa",
entre muitas outras….
Uns tempos depois deixamos o Lunguébungo para regressamos à base, como quem diz, ao Lucusse.
Uma vez mais aqui, no recesso do meu BAIXATOLA’s BAR
“qual musa inspiradora”
recordo outras, entre muitas.

Todas as tardes, após o regresso da pista de aviões que andava em construção, depois de uma reconfortante banhoca “no rio Lunguebungo ou no Acampamento” seguia-se a janta e pouco mais.

Os Fusos de Lunguebungo, onde sobressai a falta do ervado no campo de futebol.

 Além de relermos os bate-estradas das Namoradas ou das Madrinhas de Guerra, divertimentos quase  não existiam.
Os dias eram monótonos mas felizmente para alguns, que havia sempre alguém que improvisava algo, se mais não fosse o tradicional jogo de cartas à luz das velas, pois como contei, já nem tínhamos camisas para os petromax’s.

Desde sempre nunca achei grande piada aos jogos de cartas, e por isso mesmo, raramente jogo ou sou espectador.

Raramente é diferente de nunca, pois lembro-me de assistir a alguns dos jogos que o Samuapa “capataz e único branco de uma Brigada da Junta Autónoma Engenharia de Angola (J.A.E.A) ” realizava e acima de tudo, incentivava.

Como o saudoso Vitorino Nemésio “Se bem me lembro”, eram quase todas as noites.

Era vê-lo sentado numa mesa colocada ao fundo da sala "quase" rodeado de funcionários de cor… “preta” pois não admitia ninguém nas suas costas.

Não existindo ninguém, era mesmo aí que me colocava, nas raras vezes que assisti. Como se chamava ou chama o jogo, não sei. Lerpa ou lepra, talvez.

Só sei que à partida todos colocavam a mesma quantia na mesa, e iam subindo a “aposta” cada vez que julgavam ter melhor jogo que o parceiro, e quem desistisse “saía fora” e perdia.
Recordo que ele apostava forte e feio quando tinha um bom jogo, e quando não era tão bom assim, falando alto sem temor subia a “parada” como se nada fosse, induzindo os parceiros que tinham melhor jogo a ceder, ficando na mesma com a massa toda.

A maior parte dos jogadores, no intuito de recuperar o prejuízo atrasado e ao contrário do Sr. Silva “o Samuapa” em vez de dinheiro vivo, colocavam em cima da mesa uns pequenos papéis assinados de cor verde, a que chamavam, um vale.

O cretino, sem problemas financeiros (que usava uma correia trapezoidal “partida” como pingalim), tinha a distinta lata de pagar “semanalmente” aos seus subordinados "alguns com família", o ordenado em vales em vez de dinheiro vivo, porque lhes deviam xis ao jogo.

Falta dizer que quando a partida terminava por desistência dos parceiros, nunca mostrava as cartas que supostamente teria. Eram metidas no baralho aleatoriamente, sem deixar rasto.

***  ***
Notava-se que era uma brigada da J.A.E.A. coesa e de “barba rija”. Condutores de Caterpillar’s “vulgo Catrapilas” Moto-niveladoras, Moto-scraper’s e afins, apoiados por um grupo bem maior, de operadores de pá e picareta. O objectivo na altura era “construir” uma pista de aviação para os Fuzileiros “da Marinha”.

Mesmo sabendo que "no jogo" eram todos voluntários e adultos, enjoado por ver tanta “sacanagem” quase sempre retirava-me de fininho.





As  semelhanças da sua frota com a das imagens, só a marca e função. Farta de bater estradas e com um desgaste bem visível, mantinham-se operacionais graças aos milagres dos mecânicos, liderados pelo Sr. Silva.
Exacto, este Sr. Silva era diferente de outro. Este, tinha algumas virtudes. Sabia como se trabalha, e trabalhava.

Já lá vão mais de 40 anos e se comparado com os dias de hoje, era um autêntico GPS.
Conhecia o terreno como ninguém, e como já contei algures neste blogue, um pequeno buraco no chão para meter a cabeça, os seus olhos e um pequeno tubo com água, substituíam o melhor dos Teodolitos.

Mas voltemos aos Defeitos:

Recordo uma outra, a de obrigar o Operador ou motorista, de um Caterpillar, a andar ás “ARRECUAS” com a pá rastejando, porque - no seu dizer – não haver tempo de substituir uma mangueira hidráulica que rebentou, do sistema de  elevação da pá.
Andamos cerca de 2km levantando uma poeira danada. Por esse motivo, em vez de sermos nós “Exército” a fechar a coluna, era esta máquina a última da “fila” e a certa distância, para não incomodar.

Conduzindo de lado e à rasquinha do pescoço, foi um grande alívio para o Condutor/Operador, quando convenci o Artista a parar a coluna, e num instante se reparou a avaria.

Não sei porquê, mas tenho cá um “feeling” que na Independência,
lhe limparam o sebo.

domingo, 31 de julho de 2016

A falta de Fair-Play dos AVÉCs

Não querendo acreditar nas notícias que vieram a público, dos franceses não terem mostrado a bandeira Portuguesa na Torre Eiffel após a nossa vitória na final do Euro,
quis certificar-me.

E fui confirmar no dia seguinte, essa falta de Fair-Play.

Lamentavelmente era verdade tal notícia.

Olhando a Torre de cima abaixo com muita atenção...

Não existe defacto, nenhuma bandeira hasteada.



Uns poucos metros mais à frente e à esquerda “contornando a torre de Alta-Tensão” encontra-se a Escola de Fuzileiros de Vale do Zebro.

Ao fundo entre as inactivas chaminés, existe o extinto Alto-Forno da Siderurgia Nacional, que é considerado hoje em dia, um Monumento classificado do Município do Seixal.

Esta enorme estrutura “excluindo o tijolo refractário de isolamento térmico no seu interior” é 100% metálica. O ainda estar de pé, considero um milagre.

Escapou incólume à sede de inocentes sucateiros que “às claras” só fizeram (e continuam fazendo) o que governantes cretinos têm  permitido. Serve hoje  para visitas de estudo.

ERA UM VEZ…

Existente, só a metade direita da foto.
O Leitor “com preconceitos” pode se quiser ignorar a parte política, mas deve ler a excelente descrição do que era a primitiva e agora quase extinta Siderurgia Nacional, que hoje de nacional, só tem o nome.



segunda-feira, 4 de julho de 2016

De "regresso" ao LUNGUEBUNGO

Aqui há dias na companhia da minha Rosa Augusta, dizimei um indefeso robalo grelhado no restaurante da Associação de Fuzileiros aqui no Barreiro.


Certo. E depois? Pergunta o leitor.



A coisa só é notícia porque desta vez calhou irmos no dia da música ao vivo.

Também influenciado pela decoração deste estabelecimento com diversos motivos náuticos, ao ouvir músicas do Roberto Carlos tocadas e cantadas por um jovem grupo da terceira idade, sem querer por instantes viajei no tempo, e "à mesa" fui parar ao meu acampamento no Lunguebungo situado na picada “Luso-Gago Coutinho”.


Fuzileiros do Lunguebungo



Lungue-Bungo - 1973 - Quartel dos fuzos - Foto de António Jacinto
Foram diversas as vezes que com eles o meu pelotão jogou à bola.

Comparando com o Meu tempo "foto abaixo"
 vemos que 3 anos depois "foto acima"
o ervado e o campo de futebol "parece que" foram totalmente desprezados



 Visitamos e convivemos com estes fuzos “estacionados” mesmo ao lado da ponte nas margens do rio com o mesmo nome. E tal como acontecia na nossa RÁDIO POP, também o Roberto Carlos era dos preferidos do "Djay" que na altura manobrava a acústica dos altifalantes da parada.




Como já descrevi em pormenor numa história (http://ccac2504.blogspot.pt/2012/07/mais-uma-do-meu-pelotao.html)
aqui neste Blogue, permanecemos algumas semanas nesta povoação para dar protecção à J.A.E.A. (Junta Autónoma das Estradas de Angola) que “construía” uma pista de aviação.






Dado a relativa importância dos residentes "excluindo o descalço, simpático e humilde Sóba", rapidamente se chega à conclusão que a pista só servia para "além do governador do distrito", os chefões fuzos irem sem correr riscos e de cú tremido, visitar os operacionais.

Sóba
(O representante do governo)*


Nos dias de hoje através das difusas imagens "nesta zona" do Google Hearth, verificamos com dificuldade que da famigerada pista nota-se a sua abandonada existência, e do Quartel, nem vestígios.


Um dia espero fazer uma visita à Escola de Fuzileiros do Vale de Zebro "aqui bem perto de onde moro" na tentativa de saber algo sobre o fim* daquele quartel.
Durante mais de 30 anos, passei duas vezes por dia à frente da porta de armas deste quartel, na ida e na volta do meu trabalho na Siderurgia Nacional do Seixal. Foram várias as vezes que tive de parar o carro para deixar passar "o pessoal" que atravessava a estrada direito à carreira de tiro na Mata da Machada ou vice-versa, bem como no içar da bandeira, etc.

Cheguei também a levar a minha filha quando pequenita,  para aprender a nadar na piscina aquecida que possuem. Recordo também os fuzos, quando descrevo o meu "único" acidente de carro....tok tok.

E porquê?



Porta d'armas

Porque soube que no fim-de-semana existiu um atropelamento fatal em frente aos fuzileiros.
*****

Uma vez mais de manhã e de carro dirigia-me para o trabalho.
O dia era de chuva.
Ainda ao longe reparei que um autocarro estava parado um pouco à frente da porta d'armas.
"se calhar foi aquele...Pensei"

O trânsito era lento. Ao passar por ele olhei, e não notei mazelas na frente e não resisti sem olhar de novo pelo espelho retrovisor para inspeccionar a traseira.
Assim fiz. Mas...
Quando olhei em frente, reparei que a "bicha" estava parada, instintivamente travei a fundo.
Com o piso escorregadio de imediato senti um...PUM.

Ouvi barulhos metálicos e pareceu-me até, ver umas cuecas no ar.
Incrédulo, não estava a entender o que acontecera.
Felizmente que levava os vidros das portas fechados por causa da chuva, pois uma senhora despenteada "surgindo do nada" com ar de poucos amigos, gesticulava ferozmente e falava algo que imaginei ser do piorio.

Decorrido uns segundos, apreensivo, abri a porta e saí pedindo mil desculpas.
Com a ajuda do marido a senhora acalmou-se um pouco e descreveu-me o acidente.
Pelos vistos Eu tinha acabado de “empurrar” a Lambreta cerca de meio metro, que o marido conduzia com ela atrás, sentada. Culpava-se um pouco, pois viajava sem estar agarrada porque levava em cada mão um saco de plástico com os almoços dos dois.
Por isso mesmo foi inevitável, a cambalhota à retaguarda que fez por cima do pneu sobressalente.
Uma semelhante
Toda molhada e suja, dizia não necessitar que a conduzisse ao hospital e o maior problema era terem ficado sem o almoço.
Rapidamente solucionei isso, oferecendo-lhes duas senhas Tickets Restaurante das minhas.
Depois de agarrarem as marmitas vazias que rebolaram pela estrada, verificamos que só parti o vidro traseiro da luz de stop da Lambreta. O casal dizia que os estragos eram insignificantes, mas... ainda bem que accionei o seguro.
Um pouco mais havia para contar… mas termino por aqui. 


(um pequeno vídeo)
 

(**) - Não me custa nada admitir, que no abandono "depois da Independência" tenham utilizado a técnica (ou tática) da Terra queimada* e pura e simplesmente tenham demolido todas as infraestruturas, não deixando rastos, ou pedra sobre pedra.

sábado, 14 de maio de 2016

2016-10 de Maio. O Pimenta, Vilela e Chichorro, Aquele Abraço.

Após quase 15 anos de reforma mas habituado a férias, eis que surgiram as intercalares. Nada melhor que uma fugidinha ao meu refúgio predilecto
o BAIXATOLA’s BAR.

20 dias foram poucos, no entanto deram um certo alento para enfrentar um novo período de intenso ócio que se avizinha.

Sabendo do interesse há algum tempo expresso pelo Furriel Vilela em conhecer o

BAIXATOLA BAR, e numa linguagem bélica de quem pertenceu a um Batalhão de Caçadores, direi que:

 “Matei dois coelhos com uma cajadada”

Ou seja: Convidei o Vilela bem como o Furriel Chichorro.



Assim, 46 Anos depois abracei estes Camaradas que jamais esqueci.




Para não ficar atrás, também Eu me apresentei acompanhado da Esposa e do meu Amigo Alberto Ezequiel, bem conhecido no Blogue por ser um crítico e Seguidor atento.
+ + +


Uma vez mais, dadas as conversas e seus “clientes”, o BAIXATOLA’s  BAR mais parecia um bunker de guerra.

Aqui reunidos, rapidamente chegou a hora do rancho.
Mesmo sem toque, interrompemos a concentração para partimos à procura da ração de combate.
 ***

Um, ex-Sapador Pontoneiro e três ex-Atiradores de Infantaria, dos quais 2 com o curso de minas e armadilhas, rapidamente sem recurso a meios sofisticados, descobriram um local em conformidade.

Ei-lo mesmo à mão de semear a poucos metros de distância.

O recente Restaurante e Take Away ALFA.

A abarrotar pelas costuras, sentámo-nos na única mesa disponível.

 Como a conversa esteve animada, verifica-se agora pelas imagens que fomos os últimos a sair.


O Vilela contou algumas das suas histórias, de quando esteve no Grafanil na nossa companhia, adido ao nosso Batalhão.

Descreveu em pormenor (que Eu abrevio) duas ou três nomeadamente aquela de levar para a 7ª Esquadra, dois blacks que não possuíam “quando abordados” a respectiva identificação.


Depois de os entregar ao sargento da Polícia, ficou a aguardar o documento comprovativo da entrega dos ditos.

Contrariamente ao habitual, teve de esperar largos minutos, talvez mais de uma hora, e “empertigando-se” quis saber qual a razão de tal silêncio e atraso.

Veio a saber, que tinham um problema entre mãos.


O Vilela acabara de prender dois elementos fundamentais de uma equipa de futebol que nesse dia deveriam jogar no Estádio dos Coqueiros.
= = =



Outro episódio que registei, foi quando no Serviço de Policiamento e Patrulha aos pontos estratégicos, se dirigiu à zona das Antenas do  Centro Emissor da Rádio lá prós lados do Aeroporto.
Como era seu hábito para não se destacar do grupo, não tinha colocado as divisas.

Já no interior das instalações surgiu o grande chefe, que quis saber qual o motivo da presença daquela força militar no interior do recinto, perguntando quem era o responsável do grupo.


O Vilela sem hesitar, fazendo os passos e gestos que a boa norma exige, falou em sentido, identificando-se.

O cabeça d’abóbora de alta patente, não gostou da altivez e deu-lhe voz de prisão. Intrigado, seguiu-se um diálogo aceso, acabando o Vilela mais tarde, por “ser libertado” e elogiado pela sua atitude e argumentação.




Amigo Vilela, se achas que este resumo foi demasiado resumido, podes e deves descrevê-lo com minúcia para que todo mundo o possa ler.


Quanto ao Chichorro “El Pintor” nota-se bem que é bem mais pacífico e “qual Romeu” apresentou-se acompanhado da Julieta. A Companheira ideal que também tem formação em Belas Artes.


Falamos também do Ganso pescador, do fiel amigo Mondego “que não era bacalhau”, e principalmente de pinturas. O Chichorro acabou por me oferecer um pequeno quadro “no tamanho” mas de significado bem grande. Já está exposto num lugar de destaque no BAIXATOLA’s BAR, marcará p’ra todo o sempre, este nosso reencontro.


Através de uma chamada telefónica pus o Chichorro em contacto com o também pintor Furriel Giga

(Agora Mestre Giga)
Que por breves minutos, "mataram" saudades.
Num gesto digno de louvor, quando Eu (seguindo a tradição) por Os ter Convidado, por estar na “minha terra" e não só, ia pagar o almoço, foi-me dito que o mesmo já estava pago. Chama-se a isto:

Poder de antecipação, do Vilela.



Apercebi-me que além de gostaram das minhas pinturas expostas, também terão gostado das instalações, no entanto Eles dirão de sua justiça.


Podemos ver numa das fotos, uma qualidade do Chichorro que desconhecíamos. Armado em técnico de Cardiologia, utiliza as pontas do meu multímetro digital para medir a tensão arterial da Companheira.

Outros dotes quis demonstrar nomeadamente musicais, mas Eu não fui capaz de ligar o órgão electrónico, tendo descoberto só no dia seguinte, que os japoneses são uns troca-tintas.
Ao contrário do habitual a polaridade do meu Cásio é diferente. Também o Ezequiel me falou em ligar as colunas de som de água flutuante, mas com resultado algo semelhante. Confesso que um dia para não me baralhar, tenho de fazer e seguir o esquema eléctrico, para descobrir como se ligam.

….

Uma vez mais, o BAIXATOLA’s BAR cumpriu o seu propósito,

De reunir no seu interior
Amigos e Camaradas de referência.

Como o tempo foi curto e o Guarda-redes se mexeu
Teremos de repetir a jogada
A Oferta




  Abaixo:
Um pequeno Video