domingo, 30 de novembro de 2014

o MORTEIRISTA

CAMARADAS

Relato hoje aqui, o segundo encontro (após cumprimento do serviço militar obrigatório), de Manuel Marques Pimenta com o António Valério Branco da Cruz.

Este encontro ocorreu no passado Domingo dia 23 de Novembro de 2014 no renovado Centro Comercial ALEGRO de Setúbal. Como estarás recordado, trata-se de pessoal do 3º pelotão da 2504. Um, era furriel Atirador e de Minas e Armadilhas, o Outro, o imprescindível Homem do morteiro.

O primeiro encontro acorreu há três anos, em 2011, na 19ª confraternização da Companhia
realizado no dia 7 de Maio, em São João da Costa da Caparica.

Préviamente após contacto telefónico, como estava com dificuldades de juntar o nome à pessoa, socorri-me da memória do nosso Cabo Isidro Catarino Nunes, que sem hesitações me recordou que era o “Morteirista de serviço” portanto o homem da arma “de grosso calibre” que transportava e a manuseava "como ninguém". Ainda, aquele que gostava muito de fazer desenhos. ”Atributo este, que Eu não recordava”

Agradecido, consultei o meu arquivo fotográfico e de imediato descobri quem era.



Na 1ª fila, é o Ponta esquerda.

 Em destaque o seu Morteiro e respectiva granada.
"devido ao peso, as demais granadas eram transportadas pelos demais Camaradas"

Continuei a consulta, e descubro agora que este nosso amigo merecia uma punição, pois como podes verificar na foto abaixo, vemos que a “Sua inconfundível arma” andou de mão em mão.


Eu aqui de momento sem arma, dado que a mesma por vezes "servia de tripé” da máquina fotográfica 


Com respeito aos desenhos, confirma-se a habilidade do Cruz através da foto abaixo.
 

Aqui, exibindo uma das suas Obras d'arte




Algo me diz que terá sido este Cruz, o autor de outras pinturas, nomeadamente placas e emblemas que ao longo da comissão existiram.

   Ei-lo "na outra margem" no socalco onde residimos várias semanas, posando para a posteridade com a Ponte e o rio Dange ao fundo.
"Socalco de onde desabou o Unimogue do Brito"

1- Posto de sentinela. 2/7- Casernas do Pessoal. 3- Caserna dos graduados e "Paiol". 4- BAR.
5- Posto de sentinela. 6- Refeitório. 8- Escadaria de acesso ao WC. (setas)- Inicio/Cambalhota/ Fim, da queda do Unimogue.


Entretanto novos predicados descobri. Constatei que entre outros, o nosso “Morteirista” tem inspiração poética. Inspiração essa que podemos confirmar, ao ler o poema que ofereceu dedicado à “nossa guerra”.



NA GUERRA EU ANDEI



Sem saber porque razão
Para a guerra Fui chamado
Diziam para defender a Nação
Triste o dia, que fui mobilizado.



Chegou esse triste momento
Para a África embarcar
Ainda hoje me atormento
Para o barco, caminhar.



Dias noites por alto mar
Nesse oceano agitado
Uns tristes, outros a chorar
Eram as leis do Estado.



Era Maio, dias de Primavera
No barco dias passei
Outros tempos, outra era
O que hoje recordei.



A África lá chegamos
Muito mal preparados
Nessa terra lutamos
Em zonas várias, separados.




Tento hoje recordar
O que nas terras pude ver
Os Companheiros lembrar
E com Eles, conviver.

Branco da Cruz









Sentados à mesa na zona dos restaurantes, relembramos aventuras diversas, umas alegres outras nem por isso. Ao mesmo tempo dizimávamos bifanas de Vendas Novas, acompanhadas de “para mim” um generoso copo de sangria e “p'ra Ele” um esmifrado copo de cerveja.



Deixou-me entretanto preocupado, pois não me recordo de algumas peripécias, nomeadamente aquela que “no seu dizer” diz respeito à minha teimosia no decurso de uma operação "numa questão de orientação geográfica", que foi confirmada mais tarde quando se atingiu o rio e se verificou o sentido da corrente, dando assim a meia volta e a mão à palmatória.
Deduzo agora que não devo ter levado a bússola e por minha causa, todo o grupo calcorreou de bórla alguns quilómetros dos quais, se não o fiz na altura "o que acho difícil” peço agora "mais de 40 anos decorridos", desculpa aos lesados.

Sinceramente acredito que tal tenha acontecido, pois em relação a pontos cardeais, reconheço que “ainda hoje” tenho alguma dificuldade em descobrir o azimute.



Mas não foi só de incidentes, a nossa conversa.

O Cruz, referiu outras histórias que existiram, as quais eu Lhe pedi para escrever, a fim de as recordar e as poder compartilhar com todo o mundo.

Preparem-se pois Camaradas, para lerem "entre outras" uma história e confissão curiosa do Cruz e se indignarem "tal como Ele", ao saberem que alguém de nós (somos todos suspeitos) lhe roubou um kico.
Isto, dias depois de Ele também o ter "gamado" ao Tenente Coronel
"nosso Comandante do Batalhão".

* Sinceramente... Isto não se fáz * 

Mas quem o fez, estará hoje perdoado, pois: Ladrão que rouba ladrão...







CAMARADA

Também Tu terás as tuas histórias, e uma vez mais peço que as envies, a fim de enriquecermos o nosso Blogue

o Blogue da COMPANHIA DE CAÇADORES 2504
 




 
 
 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

o "QUEBRA PONTES"



É com todo o prazer, que coloco no Nosso Blogue esta “narrativa”, que nos foi enviada pelo Jorge Baldaia.


Segundo Ele, é a primeira de três ou quatro, que tem para nos enviar. Já lhe disse que não acredito, pois aquela pessoa bem-disposta que conheci, terá de certeza muito mais histórias para nos contar.


Camarada, segue-lhe o exemplo.
envia também as tuas para:


Tenta puxar pela caximónia, recua mais de 40 anos no tempo, e, tal como fez o amigo Baldaia, voltarás à tropa, aos teus pujantes 20 anos de idade.



Sem necessitares de gastar algo na compra de sopa de letras sudócus ou afins, este será um bom exercício mental para evitares o alzheimer que te poderá andar a rondar. Com isso, lucraremos todos, pois não só exercitas a mente, como irás partilhar connosco, a tua vivência de guerra.
Irás avivar recordações e acima de tudo, “já que além dos filhos não escreveste o tal livro” todo o mundo incluindo os teus netos, ficarão a saber o quão guerrilheiro foste.



Espero que tenhas uma memória selectiva, recordando de preferência a parte boa, tentando esquecer a parte má. Lembra-te que:



Tristezas não pagam dívidas.


Caro Pimenta, o prometido é devido

Aqui narro, “talvez com algumas imprecisões”, um pequeno episódio que ocorreu no decurso do I.A.O. em Santa Margarida, com o soldado Francisco Manuel Oliveira Carvalho, elemento da 3ª Secção do 1º pelotão, do qual era comandante, o ex-furriel Francisco António Costa.


Num exercício nocturno  em que tivemos que atravessar um ribeiro (não sei se fizeste parte desse exercício ou não),  havia sobre o mesmo uma velha ponte da madeira, a qual tivemos que passar. Quando íamos mais ou menos a meio
o dito Carvalho*, que era muito amigo da brincadeira, lembrou-se de se pôr aos saltos, o que originou a que a mesma desabasse completamente, com a consequente queda na água, de todos os que estavam em cima.

Quem não gostou nada da brincadeira, foi o chefe máximo da companhia - o Capitão Conde e Silva, que de imediato,  perguntou - mais ou menos nestes termos: Quem foi o brincalhão que partiu a ponte?

Fui Eu meu capitão, respondeu de imediato, o Carvalho.

Ai sim? Para castigo, vai ter de atravessar o rio com o pessoal às costas, a começar por mim!
É para já - disse o Carvalho. Se bem o disse, melhor o fez.

Embora tivesse carregado só com alguns, porque nem todos tinham necessidade dado as águas do ribeiro não serem muito profundas ou nem todos terem aceite tal boleia, houve um que foi mesmo obrigado a aceitá-la. Foi o caso de outro Carvalho, o António Monteiro Carvalho, a que nós carinhosamente tratávamos por Carvalhinho, por se tratar de um indivíduo muito baixinho.


Ah! Já me esquecia de referir outro facto: Quando o pessoal caiu à água, quem o referido Carvalho (quebra pontes) socorreu em primeiro lugar, foi o Altino de Jesus Camilo “elemento da mesma secção”, a quem de imediato perguntou:  Então Tininho, estás cá hoje?

Espero que tenhas gostado desta narrativa, que é a primeira de três ou quatro, que provavelmente irei enviar.

(*) - Por causa deste episódio, alguém atribuiu ao Carvalho, a alcunha do "quebra pontes".

Um  braço para ti e para todos os ex-camaradas que pertenceram ao nosso Batalhão.