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domingo, 29 de abril de 2012

Quartel de Tancos - Casal do Pote - A MINA


Quartel de Tancos, Casal do pote.

Agora para frequentar o Curso de Minas e Armadilhas. Ando mesmo com azar.

Como tinha o curso Industrial podia ter ido para Mecânico mas não fui.
Como tinha o Curso de Especialização de Desenhador Industrial podia ir para a Engenharia quem sabe Topógrafo ou Desenhador, também não fui.
Como trabalhava nos Telefones podia ter ido para Transmissões mas não fui.
Sem padrinhos, fui para Atirador e agora o Curso de Minas e Armadilhas.
Mas tudo bem, vamos a eles.



O director do curso era o Capitão Grilo. As aulas iam decorrendo sem grandes percalços.

A margem de ERRO não é larga. Só se erra duas vezes: a Primeira, e a Última. Todo o cuidado é pouco. O risco é iminente.

É obrigatório gritar bem alto sempre que se “explode” , três vezes a palavra FOGO.
A obrigação dos outros é “esconder“ e aguardar.

Por vezes ouvia-se, Fogo Fogo Fogo a todo o instante, em diversas direcções.
Era o pessoal treinando.


Uma mão aberta cheia de pregos de aço, um petardo de trótil no meio,
fechar a mão e fita isoladora à volta, mais um detonador com um bocado de cordão, e era o suficiente para fazer uma granada improvisada de efeitos devastadores.
Os mais audazes, sabendo que o cordão lento ardia à velocidade de um centímetro por segundo, podiam arriscar mais, cortando menos.

Certo dia um incauto foi espreitar o porquê de uma granada de fumos ter falhado depois de activada e: Resultado; Além de chamuscado ia ficando cego, pois não se toleram deslizes.
Para não alongar e no que me diz respeito, recordo o dia em que fiz prova das minhas capacidades de montagem e simulação.

Calhou-me uma Mina Portuguesa.

Era composta por cerca de 400 a 500 bocados de verguinha de ferro da construção civil, com meio a um centímetro de comprimento, e um pequeno petardo de trótil “TNT”. Tudo dentro de uma caixa de chapa, semelhante às usadas na costura pelas nossas avós, envoltos em cera derretida para não “chocalhar”.


Era altura das chuvas, o terreno estava ensopado.
Sozinho, com o capacete de ferro “tipo nazi” bem apertado no queixo conforme o exigido, analisei o terreno em volta, meti a mina de lado e “mãos à obra”.
Comecei a abrir o buraco.

 Quando feito, reparo que exagerei no tamanho.
Aterrei um pouco, meti a Mina, e à sua volta ataquei com as pedras “seixos” que tinha retirado. “Reconstruí” a paisagem por cima e ao redor, estendi o arame de tropeçar, rosquei a espoleta, atei-lhe o arame, com mil cuidados afastei-me, dando assim por terminada a montagem.
Depois falei bem alto! Trabalho concluído meu furriel.
Ok. Vamos lá todos verificar a montagem do Pimenta.

Está frio, está morno, está quente.
Era assim que dávamos as indicações para controlar o avanço dos camaradas.
Por vezes mandava parar o pessoal; é que bastava pestanejar e parecia que o maldito fio camuflado desaparecia na vegetação. Mas como estava a ser observado não podia olhar directamente, senão a Mina era logo descoberta.
Depois de disfarçadamente confirmar, mandava avançar. Até que:
Atenção! Está a Ferver.

Formados em “U”, o furriel disse: Muito bem, um belo serviço. Meus senhores agora afastar. Como de costume, é o próprio instalador que puxa o arame, em vez de tropeçar.
Certíssimo. Sou neste caso quem puxa o arame, quero pois “estourar” a
Minha Mina.

***
Éramos um trio de amigos quase inseparáveis. Dois Simões e Eu.
Por agora Eu ficava ali, para com calma, dar tempo aos que se aproximaram do lado direito do arame se esconderem do lado direito, e os do lado esquerdo, no lado esquerdo. Sempre foi assim.

Inexplicavelmente, um dos Simões corre, esquecendo-se que estava de um lado, e quis juntar-se ao Zé Simões do outro.

CUIDADO! Alguém gritou.
Tentei lançar-me ao chão, quando de imediato a explosão.
Seguiu-se o silêncio. 

Senti um calor enorme no rosto, o meu capacete desapareceu, não sentia a cara, pus a mão e ficou cheia de terra ensanguentada. Os colegas todos no chão.
Levanta-se um gritando, estou cego estou cego. A seguir outro deitando sangue pela garganta às golfadas, um terceiro de capacete na mão corria direito ao quartel.
De seguida apareceu de carro o capitão Grilo.

Andava perto e ouvindo o grito seguido da explosão suspeitou que algo de grave tinha acontecido.

Entramos no carro e lembro-me de não ter coragem de me olhar no espelho retrovisor. 
Não devo ter a metade do lado direito, pensei. Via o sangue nos outros.
O capitão ralhava.

Ao fim de algumas tentativas e de um camarada me garantir que tudo estava bem, olhei finalmente. Foi um alívio. Fiquei feliz. Apesar do sangue, vi que tinha nariz, orelha e tudo, só estavam dormentes. Não ganhei para o susto. A cerca de três metros de distância, se aqui estou descrevendo o sucedido, penso que se deve talvez à fraca potência da Mina e às pedras que “ataquei” de volta, que impediu a projecção dos “estilhaços”.
Levado para a Enfermaria do quartel dos Paraquedistas de Tancos comecei aí a fazer a extracção de objectos estranhos à caróla. 

O problema agora, vai ser chegar a casa cheio de pensos, e “dar a volta” para enganar os meus Pais quando virem o meu estado. Mais experiente, depois de me ouvir, o meu Pai chamou-me de lado e diz-me: Agora confessa lá a verdade.

Mesmo assim recebi o crachá de Minas e Armadilhas “Argúcia e Audácia”, e o diploma como a foto demonstra.
a moldura, não conta...

 

Para que tu meu amigo, não julgues que fiquei a partir de agora com um parafuso a menos, te digo: Estás muito enganado. É que acabei a guerra com dois parafusos a mais.



sábado, 14 de março de 2020

2020 - Com Duas Sopas de Atraso.

(Dia 3 de Março de 2020)
Duas Sopas de Atraso

CAMARADAS

Realizou-se conforme anunciado “neste Blogue e noutras redes sociais”, mais um Convívio da rapaziada no Restaurante Típico Solar dos Amigos
no
Guisado/Caldas da Rainha.

Como se depreende, pelo que estava escrito na postagem anterior.
(Se vens por bem, podes entrar)

Este Convívio esteve aberto a todo o mundo.

 Se por acaso tiveste conhecimento e não foste, espero que não te vás arrepender.
Tendo em conta a nossa idade e a evolução galopante deste Coronavírus, a partir de agora tens de ter um cuidado redobrado com a tua saúde e aproveitar ao máximo estes convívios, como se fossem os últimos.

Inspira-te nesta “Construção”
https://www.youtube.com/watch?v=suia_i5dEZc
++
Agora vê este link, e reza para que nada de grave te aconteça.
(Em casa de Ferreiro, espeto de pau)

https://jpn.up.pt/2020/03/13/covid-19-tecnicos-de-diagnostico-e-terapeutica-alertam-para-tratamento-desigual-no-sns/
  

 Presentes no Convívio:
Camaradas da 2504, 2505 e CCS.


No que a mim diz respeito…

Fazendo contas à hora tardia do Meu recolher ao vale dos lençóis, com a hora madrugadora do despertar, cheguei à conclusão, que mais-valia ter feito uma directa.

Como sempre para a Rambóia, nem foi necessário o despertador.

Fino como um alho, ia-me cruzando com a Rosa Augusta,
que bem-disposta,
se preparava para viver mais um dia especial.
Fazíamos 46 anos de casados.

É nosso costume passar uma parte deste dia, com os mais chegados da família.
Mas porque acertei “de bico” na data uns dias antes, hoje foi diferente.
Com todo o prazer, desta vez a família foi a Militar.

Éramos para ir no meu carro, mas dado a indisponibilidade desta vez, dos Camaradas
(Furriel Jorge Severino, e do nosso 1º Cabo Nunes) desisti.

Deduzindo que existiam lugares disponíveis, pedi boleia ao Furriel Merca.

(À saída de casa, o dia estava lindo)

Contrastava com o 3 de Março de 1974 em Vila Nova de Gaia/Santa Marinha,
a cerca de 100 metros do Rio Douro, onde estava um frio de rachar.

Imaginando que o parque de estacionamento da Estação dos barcos do Barreiro estaria lotado,
Chamei um táxi.

***
Quando íamos embarcar no Catamarã das 8:35, a boa disposição atrás referida desapareceu.
E porquê?
(Porque um tacão dos sapatos da Rosa Augusta, se partiu)


Porra kazar… logo no dia de hoje. E agora?

Agora? Agora foi a minha vez de rir. Não esqueci o quanto se riu do meu azar no dia do meu último aniversário, quando descobrimos que os meus sapatos eram biodegradáveis.

“Toma e Imbrulha!.”

O Barco atracou, e às 9 horas já tínhamos os pés em terra firme.

O combinado com o Merca, era estar às 10 horas em frente ao Jardim Zoológico
para com o Fernando Santos seguirmos viagem.

Não havia problema.
Tínhamos pois quase 1 hora, para comprar outros.

Mas a chatice é que descobrimos que as sapatarias só abriam às 10.

Telefonei ao Merca.


Porque estava uma temperatura agradável no interior da Estação do Metro do Terreiro do Paço, aguardamos aí o tempo passar.
Puxando pela memória, lembramo-nos que existem duas “Sapatarias” em frente à Estação dos Restauradores.
+
Com a risota deixamos passar a dita e saímos na seguinte.
(Estação Avenida)

Hehehehe! Agora é que vão ser elas…

 Ao descer com alguma dificuldade a Avenida da Liberdade,
começou a chover.
Só não apanhamos uma banhada, porque apareceu uma “ucraniana” a vender guarda-chuvas.

Às 10 menos 10, estávamos de plantão à porta duma sapataria.
Através da montra já fazíamos a escolha.

Cá por mim podiam ser pretos, brancos ou amarelos, azuis às riscas até. A ideia eram sapatos super-rápidos por um dia.

Entramos na hora exacta.
Após a compra, quando descíamos as escadas para a Estação dos Restauradores olhei para o relógio, e vi que…
(A Rosa Augusta bateu o Record. Eram 10 horas e 07 minutos)

Ao entrar de novo no Metro, o torniquete fez…Pi Pi Pi.
Para não ferver, contei até 10.

Como as bilheteiras estavam fechadas, dirigi-me às 2 máquinas.

Uma estava avariada, e na outra estava uma família de avec’s que não se entendiam.
Para “Lhes” exemplificar carreguei o meu Sete-Colinas, e piramo-nos em “grande vitesse”
Ainda deu para ouvir ao longe…
Merci, bó… cú…

Finalmente chegamos ao ponto de encontro. Às 10 e 20.
Com 2 sopas de atraso



(GUISADO/Caldas da Rainha)


(Esperando que não tenha sido o último)

À entrada do Restaurante, a dona do estabelecimento procurou-me
para me entregar o pequeno ramo de flores (Uma rosa, para a Rosa)
que Eu telefonicamente e em segredo, no dia anterior encomendara.

Sabendo que é mentira quando Lhe digo:
(Desconfia de mim, quando te ofereço flores,)
 Entreguei-o à homenageada

Ainda sem grandes restrições por causa do coronavírus,

Após os Abraços e Beijinhos
Abriram-se as hostilidades.

Num ambiente de franqueza e amizade, o Convívio decorreu às mil-maravilhas.
Sobressaíram uma vez mais, histórias das peripécias inesquecíveis.


Éramos 21. Da nossa Companhia de Caçadores 2504 além de mim e do Campos

(que apareceu "de novo" com agrafos na mona)* estiveram presentes pela 1ª vez neste Convívio,
o
Camarada Aguiar e sua Esposa, e a minha Rosa Augusta
que conheceu finalmente aquele a quem costumo telefonar todas as vezes que passo ao lado de Coimbra na A1,
nas minhas viagens Barreiro/BAIXATOLA.BAR e vice-versa.

Trata-se do meu Amigo Simões, que também foi protagonista em Tancos da vez que não fui pelos ares,
Só porque não calhou.
https://ccac2504.blogspot.com/search?q=a+minha+mina 

É mais um Bombista, como “em linguagem bélica”
o Merca nos trata.

O Simões foi meu colega,
no
Curso de Minas e Armadilhas. 

 
No regresso, nada de extraordinário a mencionar.

Além de ter-mos ido às Caldas da Rainha

“Não para comprar o óbvio” mas para visitar o antigo Regimento de Infantaria 5.


O Fernando Santos arriscou ser preso, quando após a porta d’armas,
“Armado em Paparazzi” empunhou a sua máquina fotográfica.


(Abaixo, um pequeno filme)


Na viagem, lembrando a música do Herman José
(Amanhã faço dieta)
Martelamos o juízo a um certo Cavalheiro
  
Um Amigo a quem dedico este vídeo, elucidativo.
https://www.youtube.com/watch?v=fkGvBht8HPw&feature=youtu.be

(*)- O Amigo Campos cada vez que tem obras lá em casa, acha-se ainda um Operações Especiais. Deve ser por isso que "armado em suicida" não se desvia do perigo. 
“E mais não disse”

quarta-feira, 24 de julho de 2013

ADIDO... e mal pago.



Se te queres sentir feliz, visita a urgência de um hospital.

Após cerca de quatro meses do meu acidente, fui evacuado  num Dakota para Luanda.
Melhor dizendo:

Fui transferido de avião do hospital militar do Luso, para o hospital militar de Luanda.
A minha chegada a Luanda a bordo do Dakota

Destacado do meu grupo, fiquei agora a pertencer ao D.A.A.
(Depósito de Adidos de Angola).

Como conto na história (Tenho um parafuso a menos? Desculpa! Tenho é 2 a mais)
consegui sair deste quartel para morar na cidade. Deslocava-me todos os dias, quase sempre de Machimbombo "o Pré mal dava para os alfinetes", para fazer a fisioterapia no
Centro de Medicina física e Reabilitação de Luanda.


Um imponente edifício, na altura recente e necessário, infelizmente bastante frequentado

Todos os dias, amaldiçoava a minha sorte.
Vim a saber que o meu braço, além dos parafusos, tinha também um músculo cortado. Estava difícil recuperar os movimentos, porque esteve engessado tanto tempo.

Depois de sair da sala da fisioterapia onde sofria um pouco, verificava que afinal Eu não tinha nada, a comparar com a “carrada” de camaradas mil vezes pior.

...   +++   ...

Eu era dos primeiros a ser atendido por ser da consulta externa. Ao sair, cruzava-me quase sempre com a chegada dos “doentes” oriundos do Hospital Militar.
Só vendo, pois ninguém acredita.

Chegavam em camiões, que de marcha atrás encostavam às rampas de cimento, e de imediato começavam a sair em quantidades impensáveis aqueles que podiam andar a pé, para logo após, saírem dezenas e dezenas em cadeiras de rodas.
Eram estropiados dos mais diversos, que ao vê-los me faziam pensar como afinal Eu era um sortudo.




Comparando o Quartel D.A.A. a um navio, poderíamos dizer que a tripulação era quase sempre a mesma e reduzida.
Enquanto que os passageiros eram às largas centenas e estavam de passagem.
A maior parte eram Operacionais dos mais diversos, oriundos de toda a Angola.

Pacientes sem paciência, que tal como Eu, não eram considerados casos graves de internamento. Por isso mesmo, iam e vinham todos os dias ao “tratamento e consultas”, permanecendo nestas instalações até terem alta hospitalar, e de novo rumarem aos seus quartéis quase todos no mato.

Diga-se que não era muito mau, pois se o destino fosse a metrópole para o Hospital Militar na Estrela, era sinal que a coisa estava preta.

Da oftalmologia, ortopedia, reumatologia etc etc  eram mais que muitos, mas: com problemas psiquiátricos; passados dos carretos, cacimbados e afins, eram muito mais.
Às vezes metia-me dó,  ver na parada um desgraçado a colocar na marca do penalty uma bola imaginaria, dar um chuto e correr para a baliza.
Quase sempre estirava-se ao comprido para a defender “e pelos vistos com sucesso” pois bastava ouvir as suas palmas, ou o sorriso na cara. A cena era diária, repetia-se vezes sem conta, e terminava quando estava extenuado.
Vivia num mundo àparte, sem dizer coisa com coisa, e raramente falava com os colegas.

Certa vez sentado no BAR, tive a curiosidade de ouvir a conversa de mais dois clientes da psiquiatria.
Era uma conversa acesa de um Sargento e um Furriel que já tinham alguns meses de estadia neste quartel.

Mais calmos, o Furriel agora muito atento, ouvia de novo o Sargento a confessar que tinha saudades da esposa, e muito medo de andar de avião.
Por isso, tinha sido Ela que ia viajar pois comprou o bilhete na metrópole e devia estar a chegar por estes dias a Luanda.

Ao ouvir isto, o Furriel disse:
Meu Sargento, isso só quer dizer que a sua mulher tem cá uns colhões... 
E foi o suficiente para o caldo ficar entornado.

Oiçalá ó seu imbecil...está a insinuar que a minha mulher é um travesti?

Ainda se agarraram. Interferi, ficando esclarecido que foi graças a mim que Ele não esbofeteava o Furriel. Questionou-o depois, quanto à diferença do posto hierárquico.

Como fui um gajo porreiro, também não participava dele por abusar de um superior. Convidou-me ainda, a ser testemunha no caso de ser necessário.

Escusado será dizer que, me prontifiquei de imediato.

Dizem que: nunca se deve contrariar um maluco.

Um dia após o tratamento, e quando percorria os corredores do Centro de Reabilitação para vir embora, reparei na abertura de uma das cortinas que delimitavam os
“gabinetes individuais".
Por não estar totalmente fechada, consegui ver que um Furriel enfermeiro estava a atender um soldado africano que Eu já conhecia, que “além de outras mazelas”, tinha perdido uma perna ao calcar uma mina.


O infeliz, nesse momento de pé, segurava-se agarrado a duas barras presas ao tecto.

O enfermeiro apertava as cintas de cabedal que iam prender "pela primeira vez" a prótese ao pequeno toco da coxa. Ao ver tudo isto, pensei na tristeza que este militar sentia por ter ficado deficiente para o resto da vida.
Entretanto ouviu-se um ding-dong nos altifalantes e alguém chamou com urgência, o Furriel.

Saiu de imediato deixando o “trabalho” a meio, recomendou-lhe que não podia largar os varões pois não ia demorar.

Depois, assisti e algo que ainda hoje me arrepio ao lembrar.
Incapacitado de andar há meses, o soldado com a perna artificial meia presa, lentamente abriu as mãos e sozinho de braços no ar, deu “a muito custo” um pequenino passo.
Sem saber que estava a ser observado, reparei na “enorme” felicidade estampada no seu rosto, "pois já podia andar".

Esse instante ficou-me gravado na memória.
Recordo que este soldado estava adido ao D.A.A. onde também Eu fazia parte.

***\   /***
A partir daí, cada vez que passava por ele, e o visse sentado na cama com a perna desapertada a seu lado, escusado será dizer que, “para bem dele”, obrigava-o a colocar a prótese,
e á minha frente caminhar um pouco.


Desculpava-se, dizendo que lhe fazia doer muito. Confessou-me até que queria desistir,
pois era muito mais fácil andar de muletas.

Por Eu andar “infelizmente” metido nestes meios, sabia que era difícil calejar os membros para aguentar a pressão exercida pelas próteses. Mesmo assim “para seu bem”,
tinha de se resignar e fazer um esforço.

Quando me via ao longe corria de muletas ou ao pé-coxinho para o quarto, para colocar a dita.

Uns tempos depois já não a largava, e reconhecido agradecia os meus conselhos.