terça-feira, 21 de novembro de 2017

A Catástrofe de 1967

Catástrofe de 1967

Caros Amigos
É revelador a forma de apresentar e de divulgar as notícias. Como seria hoje a divulgação desta tragédia?

Relacionada ao tema em epígrafe recebi do ex-Furriel António Vilela o texto que se segue:

Sou testemunha ocular deste triste acontecimento. Saí de Santa Margarida na terrível noite do 28 de Novembro no já distante ano de 1967.
Noite de muita chuva, muito frio, acompanhado do muito vento. Fomos só até Alenquer de comboio, porque não se podia ir mais além, pois estavam pontes caídas. Então fomos de autocarros até à Rocha de Conde de Óbidos. Era tamanha a desgraça, que mais parecia que já estávamos na guerra. Ainda me lembro algumas imagens que jamais esquecerei. Tanta era a lama nas ruas, que os bombeiros e os populares ainda não tinham retirado alguns cadáveres. Na guerra felizmente, não tive tamanha desgraça. Tudo isto para continuar a recordar. Um abraço a todos A. Vilela.


Cá o Eu, embora um pouco mais novo também recordo os dias seguintes a esta tragédia. Recordo que o meu irmão mais velho (já falecido) Furriel António Pimenta nessa altura prestava o Serviço Militar no Quartel de ….e tomou parte no socorro às vitimas de tal desgraça.

Quanto a mim, trabalhava na altura, na The Anglo-Portuguese Telephone Company, Limited ou APT, popularmente chamada
“Companhia dos Telefones”.

Tinha acabado de cumprir no dia anterior a esta tragédia, uma tarefa para qual tinha sido nomeado. E qual tarefa pergunta o leitor?
Exactamente: Desmantelar a Central Telefónica Manual de Perafita
(uma Freguesia de Matosinhos próxima do Aeroporto Francisco Sá Carneiro) 
já que tinha sido substituída por uma nova, e Automatizada.

Esta “odisseia” já foi referida algures aqui no blogue, mas vale a pena Sintetizar.

Sempre que nós os Técnicos da Construção (terminávamos a montagem de uma Central “mais moderna”, era comum desmantelar-se dias depois, a Central substituída.
Foi exactamente esta tarefa que na altura me foi atribuída. A equipa que eu chefiava partiu da “base” armada com todo o equipamento necessário.

Chegados ao objectivo, deparámo-nos com uns renitentes parafusos corroídos, que não saiam nem a bem nem a mal. Perante tal facto “como ao lado da central existia uma oficina de motorizadas” fui pedir ao Senhor que me emprestasse ferramentas adequadas à situação.
Regressamos então com duas marretas.

Como o objetivo era DESMANTELAR, eis-nos à cacetada, pontapé e canelada aos quase centenários equipamentos. Num ápice atingimos o objectivo.

Na tarde do dia seguinte, fui chamado às chefias que me deram a notícia da tragédia em Lisboa e me interrogaram, querendo saber porque é que não usei de mais cuidado nos trabalhos que fui fazer.
Santa ignorância. Todos “mangas-de-alpaca” tiveram de ser elucidados.
Expliquei-lhes a diferença entre desmontar e desmantelar e entendendo lamentaram o equívoco.
Estavam agora entalados, porque tinham de dar o dito pelo não dito, uma vez que “para fazer bonito” se prontificaram a enviar a central velha de Perafita, para substituir uma das que foram arrasadas pelas cheias.

Foi isto “em resumo” o que me liga às cheias de 1967

No caso do leitor querer saber tudo ou quase tudo a este respeito desta tragédia, carregue no link abaixo, e ficará informado.


domingo, 19 de novembro de 2017

Notícias

Camaradas

Uma vez que  fui o primeiro "de nós" a saber do falecimento deste nosso camarada e amigo Furriel Giga, entendi que deveria dar conhecimento desta infeliz notícia à maior parte "melhor dizendo"
a todos aqueles Camaradas, que tenho o nº de telefone.
Telefonei para todos e Américas até, para o nosso 1º cabo Bernardino, lamentando não ter o numero actualizado do furriel Brito que também reside nesse país, para também o contactar. O nosso Cabo prontificou-se a dar-lhe a infeliz notícia assim que puder .

Pois..."nem a talhe de foice"
Esta noite fui surpreendido com uma chamada no Skype do irmão mais novo desse marafado, que me deu  o nº actualizado.
Escusado será dizer que, acabada  a falação com o Francisco Brito,
"sabendo que existe uma décalage nas horas" liguei de imediato para o Aníbal Brito
 "O ex-Furriel".

Lamentou a morte  do nosso camarada Giga, e entre algumas lembranças, referiu:
"vamos lá a ver, se pró ano estarei aí para vos encontrar", mais ainda..
"felizmente estou bem de saúde"

Estava a meio desta escrita, quando aqui no Skype apareceu ligado o ex-camarada Furriel vagomestre da  CCS.

CARLOS NEVES

Dado que ainda não tinha lido o nosso Blogue, só agora tomou conhecimento do falecimento do GIGA e na resposta disse:



E é tudo por agora

Recordo o Leitor que sempre que quiser, pode e deve comentar.
Se nos quiser contactar:
manuelmarquespimenta@gmail.com
  

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Mestre Giga e o virar de página.

FURRIEL GIGA

Tenho contado neste Blogue, várias histórias deste "artista", e todas dos tempos da guerra.

Mas passemos agora, ao tempo da paz:

Intitulava-se um Mestre “pintor” e Eu "que até já fui Desenhador" concordava plenamente, porque bastava visitar o  atelier para verificarmos tal facto.

Sei que existiam dias em que o atelier por vezes mais parecia um Conservatório de música, quando ao abrigo de uma parceria com a Câmara, dava aulas de música à rapaziada.

Outras vezes, mesmo antes de abrir a porta, já o teu nariz adivinhava que nesse dia a música era outra.
É que em vez de pairar no ar o cheiro a tintas acrílicas ou a óleo.
“Olfatavas” um belo cheirinho a derivados do porco preto.

Se acaso fosse o de orégãos, coentros, poejo até, então as opções eram mais que muitas…
Sopas de cação? Açorda alentejana? Irrequietos caracóis?

Então aí… Só entrando.

Repara nesta “frame” que saquei do vídeo, do seu atelier de pintura.






















(Não se percebe bem, mas o Giga estava segurando o seu belo Cachimbo)

Com respeito à mesa, quando lá levei o Furriel Temudo pela 1ª vez,
o cenário era semelhante. 


Infelizmente na vida civil "pró meu gosto", foram poucas as vezes que nos encontramos

“Esta, a Primeira”

Resistia Eu, anos e anos sem comer caracóis, eis senão quando “logo após o 25 de abril” encontrei em Cacilhas este alentejano de Borba. Recordo que era verão e sequiosos fomos comemorar o feliz reencontro num conhecido restaurante.
Aí convenceu-me a comer esses irrequietos animais, descobrindo “mesmo agoniado” que gostei mais das caracoletas grelhadas.
A partir desse dia, de longe a muito longe, tenho comido este que “para muitos” é um grande pitéu, mas que até hoje, ainda não me convence.
(Para beber cerveja, prefiro o marisco do eusébio)

A menos de 200 metros de distância da casa onde resido (no Barreiro),
existe esta, dedicada a tal bicho.

Quando "na época alta" passo ao lado do estabelecimento, costumo ver o pessoal sentado na esplanada comendo-os com satisfação, e quase sempre trocando “bocas” com aqueles que desesperam na fila do
take-away.




Voltando ao João Manuel Giga Coelho

Ainda no tempo da guerra, recordo quando nos dizia “porque sou Coelho" no que respeita a filhos, irei ter ninhadas.

(Sei que partiu deixando pelo menos, cinco.)
Tenho na ideia que quando nos encontramos pela primeira vez em Cacilhas, trabalhava numa empresa chamada “Plessey automatic” que entre outras coisas, fazia telefones.

Acho que a partir daqui, trabalhou sempre por conta própria.


Esteve sediado no Alentejo alguns anos, e depois descobri-o morando no Fogueteiro- Amora.
Com a permissão da Junta da Freguesia, tinha já nessa altura um atelier, num pequeno contentor, que foi utilizado por um empreiteiro como ponto de vendas da urbanização onde morava. Constatei aí, que já acumulava a pintura com a música.

Trabalhou para as Televisões, na feitura de cenários.

Lamento não ter neste momento a possibilidade de mostrar a foto
do um pequeno quadro que um dia me ofereceu
(está em Famalicão).

Fica prometido que a mostrarei, e que o Quadro passará a constar na parede do Altar da 2504, existente no
BAIXATOLA's  BAR.




Entretanto uma vez mais lhe perdi o rasto, e raramente atendia o telefone.

No seu dizer, deslocava-se diversas vezes pelo país e estrangeiro, a fim de mostrar os seu trabalhos de pintura e escultura nas mais diversas exposições.
 (o Giga também era Escultor)

Essas saídas, impediram-no por vezes de comparecer aos nossos convívios, quer dos Furriéis quer da Companhia.

Quando lhe falava para aparecer e levar o seu violão, dava a entender que queria esquecer os tempos da guerra, dizendo até, que não tinha nenhuma foto desse período.

Teve um restaurante lá prós alentejos, e só há pouco tempo é que o descobri de novo, neste tal atelier na Arrentela-Seixal a poucos metros da igreja e cemitério.
Lado esquerdo “fora da imagem” o atelier, na frente a linda vista, à direita a Igreja e Cemitério.


(O seu Auto-retrato)

Sorrindo, me despeço deste Amigo Sapador
com um desejo no pensamento.

Como Atirador; Espero que quando chegar a minha vez, seja:

TIRO E QUEDA

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Mestre GIGA

CONHECES?

Reformulando a pergunta:

CONHECIAS?


Mestre GIGA: Ou ex-Furriel Sapador, Giga Coelho.

Sem mais delongas;

Se por acaso  o leitor não o conhecia, porque  nada teve a ver com a nossa guerra, então (além de poder consultar os links abaixo onde descrevo bem este “bom vivant”), resumidamente explico:

Dias antes de terminarmos a nossa curta intervenção em Cangumbe, o Furriel Giga foi “convidado” a avançar para o Lucusse “local onde permanecemos longos meses”, para se inteirar da logística (condições das instalações e não só).

Foi nessa “Missão avançada de reconhecimento” que “comprou” numa missão abandonada que encontrara algures no caminho, o tal velho Telefone de parede e o Guarda-fatos em madeira, que algumas vezes tenho referido nas minhas histórias da Rádio POP.

Mas...

Ontem (dia 12 de Novembro de 2017) decidi não deixar passar mais tempo, e quis fazer-lhe uma surpresa e dar-lhe um puxão de orelhas até, por não me ter atendido o telefone nestes últimos tempos.

Deixei a minha Rosa Augusta no Centro Comercial do Seixal “Rio Sul” e dirigi-me ao seu atelier.

Cheguei ao lusco-fusco e através dos vidros da porta, porque não vi claridade no seu interior, pareceu-me que “o estabelecimento” estaria fechado. Mesmo assim bati duas vezes.
Sem obter resresposta e quando me dirigia ao carro, pareceu-me ouvir alguém abrindo a porta. Voltei atrás e dando as boas noites, perguntei: Minha Senhora, O Giga está?
Obtive como resposta: o Giga faleceu. Incrédulo, perguntei: Quando?  
O Giga faleceu há uns meses. Acidente? Não. Lutava com problemas no (não fixei) e nos pulmões.

E é este o resumo resumido, do Conheces ou Conhecias

Foi assim que soube “pela viúva”, que o nosso Amigo pelos vistos uma vez mais partiu à frente, para “quem sabe” lá em cima, preparar de novo as condições ideais para a nossa chegada.

No Lucusse
o Furriel Pimenta (cá o Eu) de Minas e Armadilhas,
o Furriel Vítor das Transmissões, e o Furriel Giga que era Sapador
formaram o trio fundador dessa Rádio

É pois com tristeza que vejo partir um fundador, e se bem o conheci
prefere que em vez de orações ou lágrimas, cantemos o Hino do Dange
que tantas vezes tocou e cantou.

http://ccac2504.blogspot.pt/2013/08/abre-as-janelas-da-tua-casa-e-canta-com.html

REPOUSA EM PAZ, AMIGO.


Os Links que "entre outros" podes consultar:


http://ccac2504.blogspot.pt/2014/08/divagando-se-vai-ao-longe-23.html

além do seu pequeno filme que viste incluído num destes links,
podes agora ver o Artista "neste pequeníssimo", cigarrando. 

Uma vez mais cá o Pimenta, é aquele que não aparece.
THE END

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

MARATONAS

CAMARADA
Se não te inscreveste na Maratona de Lisboa que aqui anunciei, por achares que não tinhas Canetas para tanto. Podes agora fazê-lo na de Famalicão, já que esta é só metade.

Se acaso o BAIXATOLA - BAR estiver aberto nesse dia
Estás desde já Convidado.

Aquí poderás ingerir um "doping" à tua escolha.

Desde a aguardente de figos de Portalegre, aos licores de Ginja ou de Poejo da Aldeia da Mata, o de Marmelo produzido pelo nosso Furriel Campos ou ainda um de Hortelã, e afins; A escolha é tua.

Caso claudiques a meio não fiques triste. Também existe "entre outros" um xázinho da lúcia lima que plantei, que é reconfortante.
CERTIFICA-TE, primeiro.



Inscrições abertas para a 4.ª Meia Maratona de Famalicão

Os amantes de corrida podem começar a preparar as sapatilhas, pois a 4.ª Meia Maratona de Vila Nova de Famalicão já tem data marcada: 26 de novembro, às 10 horas. Os interessados já podem inscrever-se na prova, que vai contar também com uma caminhada.


Desconheço se aqui no Barreiro também organizam este evento pedestre anual.
Se sim e quando souber;
Avisar-te-ei com uns dias de antecedência para treinares o uso de andas, pois só assim poderás caminhar em diversas ruas sem te atascares logo na primeira passada, na merda de cão.
Por mais percursos alternativos que escolhas, se não fores atento, "tás sempre cagádo"

Se persistires, farás com as Andas o mesmo que este com as muletas

domingo, 5 de novembro de 2017

CONTRASTES

CONTRASTES

Referi na postagem anterior, a dificuldade que tinha um colega de trabalho da Siderurgia Nacional do Seixal no seu dia-a-dia, porque é daltónico. Dei o pequeno exemplo das cores das resistências “eléctricas” quando quis fazer um zingarelho electrónico que lhe sugeri, mas sei que existiam muito mais.
Código das Cores
Um problema semelhante deve ter este motoqueiro, que na Baixa de Luanda “vai ábrir” quer os semáforos estejam verdes ou vermelhos.

(Liga o Som)
Confere e vai reparando no que resta, da paisagem que conhecemos um pouco…
Nesta zona, está tudo: Muito melhor


… Para depois a comparares com a do vídeo seguinte 
“que é uma vergonha”

(Repara no Contraste)
Nestas zonas, está tudo: Muitíssimo pior
 
Videos semelhantes ou piores, são às carradas no Youtube

  Mesmo que estas pessoas não sofram de daltonismo, infelizmente até parece.
Todas elas, veem o presente e o futuro de uma só cor, a mais negra possível.






quinta-feira, 19 de outubro de 2017

DIVAGANDO, divagarinho…


DIVAGANDO, divagarinho…

Se por acaso leste o que escrevi àcerca das remodelações na minha casa  de Famalicão onde existem os BAIXATOLA's, para que não julgues que se trata de mais uma “Obra de Stª. Engrácia” aqui vai a 3ª e última parte.

Lamentávelmente conclui-se que a conclusão não foi concluída, porque  falta pagar ainda, uma parte obra.

E porque sim? Porque após diversas tentativas fracassadas continuo a aguardar que o homem dos alumínios* me diga o valor a pagar pelo material que instalou na minha ausência.
O engraçado é que a obra está feita, continuando à espera do Orçamento que lhe pedi,
para depois escolher a quem encomendar a obra.

O meu irmão é seu amigo, foi Ele quem mo indicou, lhe abriu a porta e tomou conta da ocorrência.

***
A última vez que falei com o Senhor "e porque está tudo nus conforme" pedi-lhe  que faça um intervalo merecido “anda assoberbado, com trabalhos na França” e me diga o valor a pagar. No caso de eu falecer, não quero que se vingue por causa disso, indo mijar na minha campa chamando-me caloteiro.
(É por causa destas e doutras, que "quando chegar o dia" quero ser Cromado)

Para assinalar o facto da obra ter quase** “findado” e numa feliz coincidência, apresentei-me acompanhado do meu Irmão na Tasca do Pisca-Pisca nos arredores de Vila Nova de Famalicão.
Sem contar, fomos convidados a levar a cabo uma ingrata e difícil missão: Ajudar um grupo de amigos a dizimar um big-tacho de massinha de pombos bravos, acompanhados de uma boa pomada, verde tinto carrascão.

(O casamento do Queijo com a Marmelada conheço, comi e gosto. Mas desconhecia este improvável e tão saboroso, da: Massinha com Pombo bravo)

A páginas tantas constatei que o vizinho da cadeira do lado, era o benfeitor que ofereceu os pombos, e que tinha entre mãos uma missão quase impossível. Nada mais que “para fazer nova comezaina” retirar ¼ do grande javali que tem congelado numa arca, sem o descongelar. Várias sugestões foram aparecendo já que o animal está empedernido, como a utilização de serras de fita ou disco, tico-ticos, serrotes vulgares ou de arco, máquinas de cortar sebes, moto-serras, etc etc. Confesso que “recordando a minha especialidade na guerra” estive quase para sugerir que um belo petardo de trótil no seu interior solucionaria o problema.

*****
Cada vez que me desloco a Famalicão, verifico que a Tasca do Pisca-Pisca continua a ser uma das boas opções da rapaziada, tendo em conta a relação preço/qualidade bem como, variedade e simpatia.

Mas reparei desta vez, que o cardápio do dia que estava pendurado na parede não era tão famoso assim, conforme se verifica na foto que tirei

Porque já moro há bastante tempo no sul, reparei quase sem querer, no nome do antepenúltimo prato da lista que aqui “na terra dos mouros” se traduz em Meia-desfeita de bacalhau. Este "petisco" faz-me sempre lembrar o malogrado colega e amigo, Sotero Correia.


Foi um Preparador de Trabalho da Siderurgia durante anos e nos últimos Técnico Industrial como eu. Foi sem sombra de dúvidas um dos técnicos mais competentes que conheci até hoje.

O Sotero além do seu trabalho, também era super-habilidoso e gostava de se aventurar noutras profissões. Recordo-me de uma das minhas visitas a sua casa, para ver “in loco” a sua habilidade de Carpinteiro/Marceneiro. Verifiquei que o móvel da sala de estar, toda a mobília do quarto bem como o móvel do bar com um lindo Aquário incorporado "tudo construído por Ele" estavam com uma perfeição e acabamento, irrepreensíveis.


Mas coisas eléctricas, não eram bem a sua praia.

Na tarde que electrificou o móvel de sala mesmo depois de Eu lhe dar umas dicas, não entendia o porquê das lâmpadas não darem luz suficiente. Pensou em desistir da luz indirecta ou até trocar as lâmpadas por outras mais fortes.
“Obrigou-me” assim a uma nova deslocação a sua casa, onde constatei o óbvio. Tal como previra o amigo Sotero tinha ligado as lâmpadas em série.

***
Tal como Eu aprendi coisas com Ele, o reverso aconteceu.
Na vertente eléctrica/electrónica recordo a primeira. Foi quando aprendeu a fazer "e fez" um Baterímetro transistorizado que instalou em lugar de destaque, no tablier do seu carro.

Palavra passa palavra e o "aparelho" tornou-se viral.
Muito pessoal  o quis fazer,  incluindo um que era daltónico,  que "para agrupar" me pediu que lhe fizesse embrulhinhos idêntificados, já que não destrinçava as cores das diversas resistências.

Como tirou a Carta de Condução... Isso dava um livro.

Uma vez ia morrendo de susto ao ver a sua recente aquisição deitar fumo
Mas, Eu conto:

O Sotero tinha comprado há dias uma bela aparelhagem de som. Exactamente, um  Concertino da Telefunken. Um compacto acabado de chegar às montras e do qual muito se orgulhava.



Quando o instalou, ao introduzir na rectaguarda os cabos da antena e das colunas, reparou na existência de uma ficha estranha por baixo de um símbolo mais estranho ainda.

Sabendo do meu gosto por “electrónicas” perguntou-me se conhecia tal símbolo. Exacto: pelo símbolo, trata-se de uma ficha DIN fêmea para ligares um microfone.



Para o confirmar, prontifiquei-me a emprestar-lhe o micro do meu gravador, que hoje se encontra no BAIXATOLA’s BAR.

Na manhã do dia seguinte emprestei-lhe o dito, mas de imediato o quis recusar porque reparou na marca do mesmo.
Não queria ligar um microfone Grundig à sua nova e linda aparelhagem Telefunken. Disse-lhe que não interessava a marca mas sim a ficha, no entanto a dúvida ficou.
Como morava perto do trabalho, foi almoçar a casa e logo quis fazer o teste.

Ao retomar o trabalho, para minha surpresa quase me insultou devolvendo o micro.

Explicou que apreensivo, desviou a aparelhagem para ligar o micro. Depois de ligado, colocou-a na posição ideal e de seguida à sua frente contou… 1-2-3 experiências. Incrédulo, reparou que da traseira saía fumo e puxou o fio de repente, ficando com o microfone na mão.

Estava agora com o credo na boca e em pulgas para chegar de novo a casa, para ver os estragos de tal manobra.

Recordo que reagi com um...
“É impossível, não acredito. Deves ter feito algo errado”

No dia seguinte deu-me um Abraço e pediu desculpas.

Tens razão pá, era a merda do cigarro no cinzeiro que ficou lá atrás da aparelhagem.
Isso quer dizer que queres testar de novo, certo? Mentira, fica assim mesmo, obrigado.

Nas confraternizações o amigo Sotero desinibia-se com alguma facilidade. Lembro-o agarrado a um violão já sem cordas, acompanhando um colega “também desinibido” que cantarolava um fadinho.
Passava os dedos e cantava baixinho… Plam plam, plam plam.

Voltando ao cardápio do Pisca-Pisca:

O Sotero contou que certo dia, satisfez a vontade a um subordinado da Siderurgia “oriundo do Minho”, que há muito tempo insistia para que fosse lá a casa.



Esse dia chegou. Quando entrou na casa, foi-lhe apresentado a Esposa “Minhota também” que após lhe pendurar o casaco os deixou sós na amena cavaqueira. Recostados no sofá foram conversando até que o subordinado simpaticamente falou alto e bom som para a esposa, que estaria nas lides da cozinha.

Ó “Maria” arranja aí qualquer coisa que se coma aqui para o Sr. Sotero.
Uns minutos passaram e falou de novo: ENTÃO?.

Após tão esclarecedora pergunta, a Esposa surgiu limpando as mãos ao avental dizendo. Ó marido fui apanhada desprevenida… sinceramente não sei o que fazer. Ao que responderam:
Qualquer coisa.

Pouco tempo depois de novo na cozinha, a Esposa falou alto:

Ó Marido pergunta ao Senhor, se quer que eu lhe faça uma Punheta.

O Sotero ignorando o significado da palavra naquele contexto, contou-me: Naquele instante quase me enterrei sofá adentro.

Tudo muito natural, mas quando o subordinado reparou no ar incrédulo do Sotero, apressou-se a esclarecer…

Calma chefe: Punheta é uma meia desfeita como vocês aqui dizem.

O Sotero numa expressão quase de alívio só disse… Sim sim, Eu sei.

Envergonhado, quis que tudo terminasse para desaparecer sem deixar rasto.

Que pensariam, subordinado e esposa, se pensassem o que ele pensou?.

A língua portuguesa é muito traiçoeira…


(*) - No regresso da deslocação que fiz à fábrica de alumínios para uma vez mais saber o valor a pagar, dei uma volta por lugares onde passei a minha infância, e reparei que o Armazém estava em ruínas. Era assim chamado este estabelecimento, onde durante muitos anos, existiu de tudo e a granel. Desde ferros e ferragens, petróleos e gasolinas, tijolos e cimentos, adubos e sulfatos, enfim quase tudo, incluindo até, caixões.
Recordo-me na companhia do meu amigo Zéca fazendo ao longo dos anos “carradas” de argolas para poços ou quando “supervisionado pelo funcionário” ajudavamos a decorar caixões com florinhas de cetim próprias para o efeito.

Como se costuma dizer: Era pobre e mal agradecido. O senhor “que já não recordo o nome” ralhava quase sempre quando descobria que Eu almofadava exageradamente o interior dos caixões para que os defuntos fossem comodamente deitados e não terem razão de queixa da sua última viagem.

(**) - Uma nova oportunidade para se fazer no Pisca-Pisca, a recepção definitiva da obra.


Durante toda esta estadia em Vila Nova de Famalicão, inteirei-me do estado de saúde da Fátima "Esposa do nosso 1º Cabo Mário Ribeiro" e pelo que sei, as 4 costelas partidas -felizmente- já passaram ao esquecimento.