sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O porquê do Batalhão 2872, ser conhecido pelo Batalhão POP




Foi graças a este conjunto de música POP, que o nosso Batalhão começou a ser conhecido como o Batalhão POP. Tudo por causa do condutor de uma viatura da Companhia 2504, que "certa vez" quando chegou à entrada do complexo do Grafanil em vez de se identificar à Policia Militar que lhe abriu o portão, como pertencendo ao Batalhão de Caçadores 2872 resumiu dizendo, Batalhão POP.

Perante a surpresa e sem permissão do PM, o condutor acelerou entrando.

A participação não se fez esperar e rapidamente chegou às mãos do nosso Comandante.

Chamado, o “arguido” pediu desculpas justificando-se "com o Conjunto" perante o Comandante, que achou graça à infracção. E em vez de o penalizar, permitiu “decretou” que doravante fossemos conhecidos pelo

.Batalhão POP.


(Fica assim recordado o nosso baptismo, que alguns camaradas parecem ter esquecido)

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Deste conjunto da 2504 formado em Abrantes, faziam parte (na viola Solo) o Furriel Giga, (na viola Baixo) o Furriel Tacão, (na Bateria) o Furriel Jorge, (na viola Ritmo) o Condutor Couto, (no Órgão electrónico) o Alferes Vítor.

 

 

E o grupo não seria o mesmo, se não existisse ainda mais um elemento. O TÉCNICO de Som de seu nome Furriel Pimenta. “Profissão” que continuei na Rádio Pop.* na Rádio Actividade Barreiro Cidade, e não só.

  

Instalar, cortar e soldar fios era o meu forte, pois acabara de largar temporariamente o meu emprego de Técnico dos Telefones da A.P.T. (The Anglo-Portuguese Telephone) mais tarde TLP hoje PT, para cumprir  o serviço militar.

  Além dos instrumentos mencionados, foi-nos oferecido pelo Movimento Nacional Feminino um equipamento de vozes.

Acabadinho de chegar, era constituído por seis microfones multidireccionais e um “belo” amplificador de som, com camara de eco incorporada. Uma camara de eco diferente das actuais "digitais", pois era constituída (como já foi referido algures neste blogue) por uma fita magnética “em circuito fechado” que rodava vezes sem conta passando por uma cabeça de gravação e, para o efeito de eco, cinco cabeças de reprodução.

O desgaste dessa fita era enorme, e por não haver stock era minha obrigação entre outras, construi-las com alguma minucia, em quantidades industriais. Sacrificava para isso, as bobinas do meu primeiro gravador de som (que por terras de Africa, sucumbiu).

 

Nos ensaios tudo decorria como previsto. Era unânime que podíamos actuar para um público exigente sem fazer fraca figura.

O baptismo estava próximo. Seria a bordo de um navio qualquer, para um destino ainda desconhecido.

Com todo o equipamento embalado, foi fácil o seu embarque a 8 de Maio de 1969 no navio mercante UÍGE. Aí, rapidamente descobrimos o local de actuação diária. O belo palco do salão agora destinado à classe dos Sargentos.

Era urgente entreter as tropas, para atenuar a tristeza da partida.

No entanto a Grande Estreia aconteceu ao terceiro dia
no convés do navio, na presença do estado maior
bem como a de todos os nossos  camaradas embarcados que eram às largas centenas.
Foi um dia memorável também pelo diálogo apresentado por mim e o Vítor Santos
(Como estás bela Dalila, tu usas tijolofila)
do qual existe a gravação Áudio.” Disponível”




Com os "papeis" na mão, Eu (Furriel Pimenta) e o Furriel Vítor Santos, no diálogo.

Como o tripulante encarregue e conhecedor deste palco estava em falta por não ter aparecido conforme o combinado, optei por tomar sozinho, a iniciativa. Habituado a passar os cabos e a fazer as ligações, rapidamente os equipamentos estavam interligados e dispostos nas posições previstas.

 

Reparei que existiam embutidas nas paredes ao redor do palco, conjuntos de duas tomadas eléctricas. Todas elas em bom estado de conservação há excepção das duas centrais, que por serem as mais usadas, estavam semi-partidas e penduradas da parede.

Verifiquei que as de cima eram de corrente contínua e as debaixo de corrente alterna. Se todas eram assim, com certeza que as caídas no centro do palco teriam o mesmo critério.

E assim, com tudo ligado, faltava só o disjuntor geral.

 

Eis que o imprevisto aconteceu. Ao ligar o dito, de imediato desarmou. Ainda ouvi um som parecido a um silvo, ao mesmo tempo que começou a sair um pouco de fumo detrás do amplificador.

Grande azar…

Logo após surgiu o tripulante faltoso que ao tomar conhecimento do sucedido, confessou saber que aquelas tomadas estavam trocadas. Sentindo-se culpado pedia agora desculpas.

Como eram precisos fusíveis , convidou-me a segui-lo. De imediato descemos um labirinto de escadas e mais escadas, corredores e mais corredores, escadas e corredores, até chegar ao camarote do chefe da electricidade.

Aí encontrei um cidadão veterano com uma “grande lábia”, tripulante de longa data, e olhando a decoração do camarote, com um palmarés invejável.


Antes de me desenrascar, quis mostrar-me alguns álbuns de fotos “que dizia serem reais” de fazer corar qualquer mortal.

Lembro o leitor, que naqueles tempos não existiam livros pornográficos à venda.


O que conheci de mais erótico, era o famoso livro <A marca dos Avelares>. Não passava de um conjunto de folhas agrafadas, copiadas a stencil, com histórias que faziam apelo ao imaginário. Escrito à máquina e sem fotos, tinha no entanto alguns desenhos alusivos às histórias cujo protagonista era sempre o mesmo. O irrequieto Carlinhos

 

 

Só conheci um exemplar quando já frequentava o Ensino Secundário. Recordo que o livro percorreu a Escola a uma velocidade elevada, porque existia um tempo limite de leitura para ser entregue ao próximo leitor que nos perseguia enquanto não o tinha. Se alguma tipografia tivesse a ousadia de editar este tipo de livros, os intervenientes teriam com certeza os dias de liberdade contados. Ao contrário da impunidade irresponsável de hoje, o regime do Salazar não perdoava.

 

E conheci assim “para minha surpresa” alguém simpático, que me levou a visitar locais do navio inacessíveis aos passageiros, tais como a casa das máquinas, a central eléctrica a central telefónica a de bombagem etc.

Por achar de interesse, apresentou-me ao chefe da cozinha que me pôs à vontade: Sempre que o nosso Furriel quiser pode aparecer por cá mas tenha cuidado não traga todos os colegas atrás (não levei todos… mas alguns). Reparei aí, na enorme quantidade e variedade de vinhos existente, o que me levou a optar por beber “em vez do jarro fornecido” um belo vinho verde às refeições e pagar no final da viagem o que fosse preciso.

Já que poderia morrer, que morresse de barriga cheia.

Para minha surpresa no final da viagem, quando “após quase 13 dias” receoso pedi a conta, responderam-me:

nem pensar nosso Furriel… Foi oferta da casa.

Em silêncio agradeci ao Electricista e ao curto-circuito.


* Se quiseres saber, desde já, como se formou a "Rádio POP"  carrega no Link abaixo:

http://ccac2504.blogspot.pt/2012/04/radio-pop.html

Senão, vai lendo tudo o que aqui existe, carregando no fundo em "Mensagens antigas" que essa história a seu tempo há-de aparecer.



 

 

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