domingo, 10 de agosto de 2014

Divagando.... se vai ao longe ( 3/3 )

…e que pense não fugir muito, aos temas aqui expostos.
Com boa vontade, as que seguem podem ser englobadas nos temas: ... e Transmissões.



Posteriormente lembro-me da Minha Estação de Rádio de FM que construí de raiz, desde a confecção do circuito impresso* até à caixa onde ficou alojada. Um emissor cujo alcance passou de pouco mais de um palmo na montagem inicial, para um varrimento da vários quilómetros de distância após calibragem e afinação.


Num grande perímetro, e bem antes das rádios TSF de Lisboa, da ex-Rádio Arremesso na Baixa da Banheira, da Rádio Seixal entre outras, já a minha Rádio Pirata,
(Rádio-Actividade * Barreiro-Cidade) 
com uma simples antena “Paço-em-Frente para passar despercebida da vizinhança”, emitia para  as redondezas.


O primeiro feedback foi-me dado pelo macanudo da Estação Viriato "de madrugada logo após o arranque" que residia no bairro Madre de Deus em Lisboa (que avaliou a minha portadora com um NOVE MAIS TRINTA, e a cores). Todo satisfeito, confirmei nos dias seguintes, que chegava a Palmela, a Almada, a toda a encosta de Lisboa virada pró Tejo, bem como Moita Montijo e não só.
A quem desconhece estes pequenos Emissores, ao vê-los diriam que estou a mentir pela insignificância do aspecto. Sem PLL, cabia na palma da mão, e podia ser regulado através de um trimmer a nosso bel-prazer, dentro e até fóra da Gama do FM os conhecidos 88 a 108 Mhz.

Para “fugir à polícia” todas as noites me despedia, com um
Até amanhã, nesta ou noutra frequência.

É que a Escuta dos Serviços Radioeléctricos, usavam, e penso que ainda usam, “à falta de bufos” a triangulação para detectar e caçar os piratas. Não podíamos portanto, estar muito tempo ligados, para não se dar tempo a que os defensores da moral e bons costumes, se dispusessem no terreno.

Após a legalização das rádios, perdi o entusiasmo e dediquei-me a outro projecto:
Construir um Emissor de Vídeo.

Um pouco mais complexo, fiz um Emissor de VHF. E aí estava Eu uma vez mais, com emissões piratas. Com uma propagação de largas centenas de metros, abrangia várias pracetas da redondeza. No entanto, acabei por desistir pouco tempo depois.

É que descobri certo dia, que foi por um triz que não cometi uma tremenda asneira. Estava sentado no sofá da sala controlando a emissão, quando reparo que ia aparecer nos ecrãs dos televisores, o meu nome que tinha gravado na cassete que reproduzia nesse momento, e tudo acabou.
A minha camara que foi caríssima, que pifou duas vezes, e desisti de a mandar arranjar


De imediato saltei do sofá para a varanda onde estava montado o Estúdio, e num desespero puxei pela fiarada, arrancando sem dó nem piedade todo o equipamento. É que, não Me podia denunciar, já que fazia parte dos curiosos que queriam descobrir… o Pirata. O Leitor/Gravador de vídeo “pifou no acto”, mas o Emissor, faz hoje faz parte do meu acervo museológico, no BAIXATOLA’s BAR.

Eis o dito cujo, com a pequena e banal antena telescópica.
Se o tivesse ligado a uma antena vertical exterior, tipo a multidirecional Ringo, concerteza que o raio de propagação  teria sido muito maior.


Já que falo em televisão e perante as tecnologias actuais, quando hoje em dia ouço e vejo Eles ou Elas “militares que foram voluntários brincar às guerras para ganhar uns cobres” chorando das saudades, “que sentem ou vão sentir”, dos seus entes queridos, dá-me vontade de rir.
Recordo de imediato os nossos tempos de guerra, o Rebenta-Minas, o Meu Pelotão, as rações de combate, o silêncio das preces para que não fossemos atacados "principalmente à noite" pois sabíamos que em plena mata, sem pistas e a largos quilómetros desviados da Base mesmo de helicóptero, não havia evacuações. Lembra-me ainda, os Bate-Estradas ou Aerogramas (que era o único meio de comunicacão com a família), a arca-frigorífica a petróleo, as nossas Madrinhas de Guerra, e Aqueles “não foi o meu caso pois vim de férias à metrópole” que só falaram, viram e abraçaram os Seus pela primeira vez, após 2 anos e tal da partida.

Imagino estes de agora, armados em Mercenários, numa noite de Natal e no quentinho do ar condicionado, ligados desde a partida às novas tecnologias, Skypes, Facebooks ou derivados, e com as parabólicas apontadas para os satélites Hispasat, Astra, Hotbird ou outros, comendo do bom e do melhor. Estarão confortavelmente sentados de joystic na mão, para quem sabe, sem pôr o cu a descoberto, comandar um Drone e programar um ataque logo após o seu clube terminar o jogo, ou ainda se a nostalgia atacar, ver na Televisão  a leds à hora combinada, as traquinices diárias do cão e dos filhos. Calculo-o fazendo "zapping" e imaginando-se no Terreiro do Paço ou Recinto da EXPO” vendo a final de uma copa qualquer, ou porque não: esperando sua excelência do governo, que vai passar as festas com o pessoal tão carenciado de afecto e diversão “tadinhos” para lhes dar alento, somando no seu curriculum, mais um asterisco de servir "se" a pátria, para num 10 de Junho ser agraciado pela valentia coragem a abnegação que demonstrou ao deslocar-se ao "teatro" das operações.

No entanto continuam a ignorar aqueles que “Obrigados”, bateram com os costados em terras de África, com um "pré miserável" e sem um mínimo de condições, e que ficaram com mazelas físicas e psicológicas eternas. Mas não desesperes Camarada, pois um dia quem sabe, quando te restar poucos dias de vida, e com a maior desfaçatez, irão abrir um inquérito para descobrirem que afinal foste tu o culpado (tal como a senhora que foi atropelada na passadeira), fora Ela a culpada por a ter atravessado com ligeireza, sem dar prioridade ao automóvel.


Irritado, apetece-me dizer: Por favor, Não me fecundem.

NOTA: Para que este texto faça melhor sentido, devias ter lido primeiro e seguidos, os Divagandos Anteriores.

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