quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A ave rara

CAMARADAS

Enviei um e-mail ao Chichorro onde resumidamente me identifiquei, recebendo como resposta (pela mesma via) o que “com sua permissão” podemos ler.

Pimenta

Então não me havia de lembrar de ti, lá no Grafanil perto do cinema, num aquartelamento que tinha um lago no meio onde nadava um ganso marinho que agarrei na praia?

Ora eu, quando cheguei ao puto, acabei o curso na escola de belas artes, trabalhando também, à hora no gabinete técnico da Mobil em Matosinhos. Depois fui dar aulas para a escola industrial da Figueira da Foz onde tinha atelier e por lá fiquei casado e com dois filhos. Vim mais tarde dar aulas para o Porto, reformei-me e agora vivo em Leça da Palmeira continuando a pintar enquanto tenho força no pincel.

Foi um belo tempo, esse do Grafanil. Tinha-mos vindo do mato ao norte S. Salvador e esses últimos dias passados em Luanda foram umas férias porreiras e à custa da pintura e da admiração do comandante pela minha obra, poupou-me muita saída para a "guerra" e mamei muita lagosta vinda da messe dos oficiais.
Não sei onde estará agora o painel que lá ficou. Naturalmente estará em casa do Eduardo dos Santos. He...He...!


Caro Pimenta, vai dizendo coisas e vai ao google a <heitor chichorro> que lá está tudo sobre a minha obra e o que tenho pintado ultimamente.

Um abraço
Ora quem não sabia ficou a saber, que o foi o Heitor o autor, da chegada dessa ave rara no lago do jardim
***
Hás-de contar como capturaste o animal e qual a táctica usada. Não terá sido à paulada, mas vai ser difícil convenceres a rapaziada do contrário, pois que me recorde, a ave não voava por ter uma asa partida.

Essa de não teres ao menos uma foto da dita, é imperdoável.
E como não quero que te falte nada,
aqui vão duas que guardo desde então.
















Algumas fotos desse "jardim" onde existia o lago.

























Cá o Eu, de Sargento de dia
Em vez do Lago estar a transbordar com a àgua que meto "quando toco"
não entendo porque está vazio.




(A partir da esquerda- Furrieis: Pimenta, Giga, Brito, Vitor, Machado)

Aspecto do Jardim na nossa Noite de Natal de 1969


E para ti Chichorro “Pintor”

Aqui vão duas fotos “com pouca qualidade” de pinturas que acho serem do Furriel LYRA.























* feedback *
Dia 12/02/2016
Caro Pimenta, fiquei emocionado com as fotos do meu amigo ganço pescador.

Aí, no Grafanil, a malta tinha direito a ir à praia na camioneta do batalhão. Já não me lembro qual a praia que vulgarmente frequentava-mos,  julgo que era para os lados do muceque lixeira onde moravam muitos pescadores.

Andava eu nadando naquelas cálidas águas depois de um joguinho de futebol na areia com a malta, e muito perto nadava também aquela magnífica ave que, para meu espanto, não fugiu, mas quase se juntou a mim grasnando como se me conhecesse há muito. Fiz-lhe umas festas na cabeça, ele grasnou qualquer coisa que não entendi mas seria um pedido de amizade. Claro que me afeiçoei ao bicharoco de penas brancas e olhos azuis e nadei para a praia com ele abraçado. Lá regressou o pessoal ao Grafanil na camioneta mais esta penuda e simpática ave que passou a viver no lago do quartel, mas tive que pedir permissão ao comandante que, admirado, disse:
Ponha lá esse selvagem no lago e dê-lhe peixe todos os dias
O ganso adaptou-se perfeitamente e todos os dias eu ou o cozinheiro atirava-mos sardinhas e outros peixes que agarrava com o bico no ar. Claro que engordou e as penas reluziam de bem tratadas. Como não tinha que pescar , aquilo era só comer e nadar à volta no lago e grasnar de contente ...lá na língua dele!
Ora estes animais, eram pertença dos pescadores que os usavam na pesca . Punham-lhes um anel no pescoço de modo a não poderem engolir nada e levavam-nos para os locais onde havia peixe. Os ganços mergulhavam e traziam o peixe no bico já que não o podiam engolir. Eram uma espécie de escravos que pescavam para os seus donos sem se poderem alimentar por si.
Senti-me um libertador deste escravo, embora lhe tivesse tirado a beleza do oceano.

Amigo Pimenta, obrigado pelas fotos que me recordam esse meu amigo ganço que já deve estar na reserva com a patente de sargento He...He...
* * *
Penso que a primeira pintura é minha devido ao estilo das figuras. A outra será do Lyra

6 comentários:

  1. O que eu fui arranjar. O chicha, a lembrar o que eu tinha esquecido. Já não bastava o "Mondego", para vir agora o ganço. Sinceramente, já não me lembrava do bicho. Como é bom recordar. Um abraço a todos. A.Vilela

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  2. Ao ler o comentário fiquei um pouco intrigado, mas logo descobri que CHICHA, é o diminutivo "carinhoso" de CHICHORRO.

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  3. Não me lembro se conheci o Chichorro! Provavelmente estariam ainda no Grafanil quando regressei pelo Natal (passado na Fazenda Maria Manuela) do Dange, pois passei a passagem de ano já em Luanda. Lembro-me que havia uma Companhia na altura que reforçava o Batalhão e recordo estavam lá um furriel que era natural de Luanda e o furriel Jaques de Lisboa.

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  4. Interessante, este "ciberreencontro";interessante o consequente relembrar de episódios vividos;fica-me, entretanto, uma pequena,dúvida: o simpático palmípede de penas brancas, não recebeu um nome, à semelhança do Mondego ?

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    1. Sinceramente Eu não recordo.
      É uma bela pergunta, para o Chichorro responder.

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    2. Gostei da linguagem do "Ganço" conheço a gestual, agora que o "chicha" entendesse o grasnar, foi para mim uma surpresa.A praia era a Curimba.É onde eu estou na foto que mandei a calçar as barbatanas, ao lado do condutor da camioneta, que nos levava para a praia.

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