sexta-feira, 27 de abril de 2012

O Fittipaldi do Dange


O Fittipaldi do Dange
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Uma vez mais, o Furriel Brito tentava convencer o Pixad’aço, insistia até, pois queria aprender a conduzir. Um dia o Condutor acedeu. No meio da picada onde estávamos, numa zona tão larga como aquela, concerteza não haveria perigo.
Umas voltas para a direita, outras para a esquerda, marcha-atrás e marcha à frente, e eis que o Algarvio se convenceu, ser quem sabe, um Emerson Fittipaldi.
Uns dias depois, estava agendada uma ida a Quibaxe para fazermos o reabastecimento. Calhou mesmo bem para o Brito não esquecer tudo o que assimilou.

Chegados a Quibaxe, tomamos conhecimento que um soldado no reabastecimento anterior, uma vez mais,  além de bom na dança do fandango era exímio no safanço. Segundo informações, era seu costume depois de distribuidas as tarefas, "pirar-se" deixando para os colegas poucos minutos após, a obrigação de carregar as Berliets.
O Brito e Eu combinamos então, que este amigo teria desta vez, o privilégio de carregar sózinho um camião. A proposta foi lançada e quanto mais rápido o fizesse, mais rápido ia passear.

Pelos vistos, não recebeu a punição de "bom grado", pois reparamos que as grades de cerveja até saltavam, porque zangado, corria com o carrinho de mão carregado, direito à viatura galgando o enorme desnível existente entre o cais e a berliet ainda vazia. Esperei ficar de plantão a tarde toda, mas afinal não partiu nada e até demorou pouco tempo. Agradeci, e pôde divertir-se de consciência tranquila.
Chegou a hora do regresso.

Equipados "a rigor", evitava-mos a perda de tempo, para assim podermos regressar antes de anoitecer. Confesso que não gostava mesmo nada, de percorrer esta picada "alertando os turras" com os canos de escape dos Unimogues a gasóleo fazendo uma barulheira imensa, e com as luzes ligadas quase sempre "nos máximos", no silêncio da noite. A atenção era redobrada no local onde sofremos um ataque, a que muitos chamavam “a figueira”.

Ao lembrar esta história, parece que ainda hoje recordo a angústia que sentia, ao passar nesse local "tão propício a emboscadas". Sabia que não era só Eu a ter tal presentimento, pois bastava reparar no gesto quase  automático de todos. Via-os "silenciosamente", a rodar a patilha se segrança da G3 para a posição rajada ou tiro-a-tiro. Passado aquele troço de picada, tudo voltava ao normal no que respeita à conversa e à posição do "pinchavelho". 

uma vez mais “lindos, porcos e bons” chegavamos sãos e salvos ao Dange.


Dado que o meu pelotão estava "sediado na outra margem" do rio Dange, antes de atravessarmos a ponte todo o pessoal ansioso por um reconfortante banho, entrava directamente na água excepto como era habitual, um mínimo de soldados necessários para descarregar os cunhetes, o morteiro, a bazuca, e restante arsenal.

Entretanto ouviu-se um burburinho e de imediato constou-se que o condutor do Unimogue que subia o morro, era o Furriel Brito, mas Eu não acreditei. Desviei-me para o lado por causa de uma árvore que me tapava a visão, e prestei redobrada atenção. Quase em uníssono dissemos: É pá! O gajo é maluco.
Não tardou muito para ver surgir do nada, um Unimog e seu condutor. Quando os dois no ar e em queda livre, estavam já abaixo do nível do socalco, o Brito em desespero, "qual mola" formou um salto enorme ficando em desequilíbrio lá no cimo rodando os braços, enquanto que o carro se espatifava, a cerca de 20 metros abaixo. Que acontecera?




O Brito “sem sabermos como” até lá foi bem, o mal foi resolver fazer a inversão de marcha no cimo do socalco (onde residíamos).
Para um veterano era difícil, mas para o Marafado era bife. Pelos visto quando recuou, meteu as rodas traseiras do Unimog na vala de escoamento das águas. Depois pensou: Três pedais e só dois pés!, Como fazer?
Como contou, resolveu então meter o acelerador de mão a fundo, mas  quando largou a embraiagem, sem ainda saber como, o malvado do Unimog saltou. 

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